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COMO TEM GENTE BURRA NESTE MUNDO - episódio 01: No cinema

>> quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008



Dezoito reais. Foi quanto custou seu ingresso para um filme qualquer no “Reserva Cultural” em São Paulo. Você entra. Acomoda-se. O filme começa.

Dez minutos depois, você não está entendendo muita coisa daquele “filme de arte” quando, bem atrás de você, dois sujeitos começam a conversar, disputando seus ouvidos com o som do filme.

Nem precisa olhar pra trás para saber como são: usam camisetas, talvez com a estampa de Che Guevara. Os cabelos parecem que não vêem água há mais de uma semana – só água da chuva. Bermudas com a barra desfiada, chinelos Havaianas nos pés, piercing na orelha, uma barba “estilosa” (normalmente para disfarçar as falhas e para economizar lâminas), e uma daquelas mochilas de tecido “mamãe-não-quer-neto” com alça passando pelo pescoço, e anel de coquinho no dedo comprado numa barraquinha da feirinha da Benedito Calixto ou do Masp.

São os chamados “intelectunerds”. Eles sabem tudo o que acontece “culturalmente” na cidade. Conhecem todas as exposições dos museus, vão a todos os bares alternativos (onde podem gastar pouco), não perdem um espetáculo teatral (experimental, claro!) gratuito, assistem várias vezes aos filmes tanto do Reserva quanto do Espaço Unibanco (pagando "meia", claro)... E, invariavelmente, escolhem o meio da sessão para conversar.

“Sim, o diretor Sam Walterson inova na proposta de uma quebra de paradigma, renovando a estética de uma linguagem conceitual”.

SHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

Parece que eles ouviram... Agora você vai poder curtir seu filme em paz, pelos próximos cinco minutos.

Sim, porque eles não agüentam compartilhar sua extensa bagagem de conhecimentos. Afinal, eles passaram a noite inteira decorando as matérias da revista Bravo e os cadernos de Cultura da Folha e do Estadão.

“Aquele outro filme do Sam (sim, Sam. Eles sabem tanto sobre atores, diretores e roteiristas que se atravem a tratá-los pelo primeiro nome. O pior é que seu interlocutor compreende), `O Lado Obscuro da Utopia´ é vanguardista na sua essência, busca um enfoque nas construções das sociedades patriarcais que dominavam as classes menos favorecidas”...

SHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

O filme acaba, você sai do cinema, meio de saco cheio de tanto blábláblá cultural, o filme não foi lá essas coisas, mas teria sido melhor se você só ouvisse o som dele.
Na avenida, os dois intelectunerds se despedem. Um vai pegar o metrô. O outro, vai a pé pra casa.

Claro, intelectunerd não tem carro.

Mas tem boca, infelizmente!

E fala sempre quando não deve, e o que não deve também!


(sugerido por Marco Antônio - www.marco-brasil.blogspot.com)

5 bedelhos!:

thiago 21 de fev de 2008 01:37:00  

odeio esse tipo de gente que se mete a "culturado". são aqueles que assistem "bbb" escondido de todo mundo.

Lucas Conrado 22 de fev de 2008 17:37:00  

Ah, que raiva desses filmes e desse povo! E eles tem a mania de odiar os melhores filmes e adorar os piores...
E vai falar que o filme cult é uma bosta pra vc ver! "Ah, você é um ignorante, um insensível que não captou a mensagem que o diretor quis passar!"

Não é a toa que adoro Star Wars...

Italo 22 de fev de 2008 23:33:00  

GENTE EU ODEIO PESSOAS QUE FALAM NO CINEMA!!!!!!!!!
por isso que deveria ter "private sessions"

ah,quer uma dica que descobri ontem?
cinema no espaço unibanco custa 2,50 as quintas feiras rs
reze pra nao ter enchente depois rs

Ciça Donner 23 de fev de 2008 07:54:00  

"mochilas de tecido “mamãe-não-quer-neto”".... acho que estou passando mal

O Marinheiro 24 de fev de 2008 00:34:00  

Sabe o pior? Nem a Folha e a Bravo chegam nesses detalhes desnecessários que os intelectunerds sabem.... Onde eles descobrem essas coisas? Deve ser em alguma Wickipedia da vida...

O X da questão é: quem escreve aquela enciclopédia comuitária?

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