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SÃO PAULO - CORES E NOMES - Episódio 03

>> Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

OS EMBALOS DE SÁBADO À NOITE


22h00

A irmã foi ao cinema com o namorado. Os pais começam a ver um filme no Telecine. Entra no banho. É o começo da preparação para outra balada de sábado.

Meia noite

O filme acabou; os pais se preparam pra dormir. É hora de sair. Pega as chaves, dá uma última olhada no espelho e sai. Na portaria, dá “boa noite” ao sonolento porteiro.

00h30

No posto, coloca álcool no carro enquanto pega vodca e uma lata de energético. Quer chegar à balada "a mil".


00h50

Chega à balada. Ao sair do carro, joga a lata do energético longe. O “esquenta” foi no carro mesmo. Nunca teve medo da "lei seca".

01h25

Já deu o primeiro beijo na boca da noite. Vai ao banheiro. Tira uma lata de cigarros do bolso e um cartão de crédito. Tranca a porta do reservado.

01h35

Sai do reservado do banheiro "fungando" e volta pra pista. Reencontra uma de suas companhias enquanto paquera alguém na pista. O segundo beijo não demora.

02h20

Consegue uma “balinha” e vai ao banheiro outra vez. Quinze minutos depois, sai do banheiro e vai pro bar. Precisa tomar água. E vai precisar de muita a noite toda.


03h45

Troca telefone com mais alguém que beijou, mas certamente não vai lembrar-se de seu rosto dali a 5 minutos. Compra outra garrafa de água.

05h20

Recusa uma ida ao motel com a oitava pessoa que beijou na boca aquela noite. Quer dançar, dançar e dançar.

07h30

Tem dificuldades com a senha do cartão de débito na hora de pagar a conta. O sol no céu indica um domingo quente e com poucas nuvens


08h30

Sem banho, sem tirar toda a roupa do corpo, dorme profundamente em sua cama. Livre dos perigos da noite paulistana.

16h20

- Alô?
- Oi, dona Nair, boa tarde.
- Boa tarde. Olha, dormindo ainda. Quer que eu vá chamar?

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ERA PRA TANTO?

>> Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Num bar, não tinha como NÃO ouvir a conversa na mesa do lado. Quero saber sua opinião:


[1] Não, não estamos mais juntos.
[2] Mas o que aconteceu?
[1] Cansei. Não dá mais. Muita irresponsabilidade.
[2] Mas... o que houve de fato?
[1] Imagine que eu tava no stetic center quando me ligou. Disse que 20 minutos depois vinha me pegar.
[2] Que horas eram?
[1] Eram quase 6. Saí da prancha de bronzeamento artificial, tomei um banho e fiquei esperando. Sabe que horas chegou? Dez pras sete. E veio dizer que era por causa do trânsito.
[2] Mas realmente o trânsito...
[1] Não tem desculpa. Se marcou, tem de cumprir. Cansei, não quero mais.


Meus leitores, eu não sei há quanto tempo se conheciam, como era a relação, mas, me digam: era pra tanto?
Um atraso assim é motivo pra fim de relacionamento?
Já tinha havido outros?
Será que não havia paixão?
Ou será que não era nada disso?

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VIDA DE CACHORRO

>> Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Bernardo só não tinha a vida que pediu a Deus porque conseguira 80% dela Não se pode ter tudo na vida, mas com o que se tem, fazer de tudo. Para um vira latas, ele tinha, sim, uma vida de rei no apartamento de Henrique.
Henrique acordava meia hora mais cedo para levar Bernardo para uma volta no quarteirão. Apesar de quase 12 anos, ele só fazia xixi no apartamento – e perto de um ralo. Cocô, jamais! Então, antes de ir para o trabalho, Henrique saía para que ele se aliviasse com o “número 2”.
Henrique ia embora e Bernardo se tornava dono do apartamento. Ia comer, beber água fresquinha, brincar com seus inúmeros – e destruídos – objetos de borracha antes de dar aquela dormida básica. Perto de 4 da tarde, Bernardo acordava. Mesmo sem saber o que é relógio, sentia que Henrique voltaria logo para o passeio no parque.
Era assim todos os dias: fim de tarde, hora de ir ao parque, um longo e divertido passeio. Henrique ia conversando com Bernardo que, mesmo sem entender uma só palavra ou o seu sentido, sabia que aquele som era música para seus ouvidos. E pelo tom da voz, percebia se Henrique estava triste, feliz, cansado, animado.


Pausa para descanso. Henrique sentado no chão, Bernardo descansando com o focinho em suas pernas. Era ali um companheiro sempre presente. Até mesmo no seu momento mais difícil, aos dois anos, quando fora atropelado. Henrique nunca saiu de seu lado.
Depois de retornarem, Henrique ia preparar o jantar, e Bernardo comia outra vez e bebia mais água. Os passeios davam sede. Depois, ficava deitado junto ao sofá da sala enquanto Henrique via TV.
No fim de semana, Henrique não ia dormir, mas ao sair, levava Bernardo, de novo para “o número 2” em volta do quarteirão. Bernardo, então, ia para sua caminha esperar o dono voltar lá pelo fim da madrugada.
Bernardo gostava de Cecília, namorada de Henrique. Não suportava a anterior, Rosângela. Mas, mesmo assim, ficou junto de seu dono quando eles terminaram. Agora, com Cecília era diferente. Sentia Henrique feliz e isso lhe fazia bem.
Bernardo tinha não se sabe quantos filhos espalhados por aí. E agora, mais uma namorada vinha ficar dois dias com ele no apartamento no fim de semana. Mais filhotes.
Uma semana depois, a doença veio. E Bernardo sabia que a velhice cobrava o fim de seus dias. Doze anos. Doze anos felizes para um vira latas. Henrique não saiu de seu lado até a última batida de seu coração, que ocorreu numa sexta feira. Henrique viajou para o sítio e lá fez o funeral, lembrando as palavras que lera no livro Marley e Eu. Uma cratera abriu-se no seu coração que só o vento do tempo se encarregaria de, aos poucos, ir fechando-a. Essa cratera era a saudade do grande companheiro de uma vida. Do parceiro, do confidente, do mais fiel amigo.
Três meses depois, Henrique criava “Dinho”, ou Bernardinho, um dos sete últimos filhotes de Bernardo.
A vida continua. E um novo amor nascia ali. Sempre abençoado pelo eterno Bernardo. Onde quer que ele esteja.

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São Paulo - Cores e Nomes - Episódio 02

>> Sábado, 20 de Junho de 2009

JUAREZ, UM MOTORISTA

O capítulo de ontem da novela das 8? Futebol com os amigos no fim de semana? Visita aos parentes? Para Juarez Arnaldo Fonseca da Costa, 42 anos, isso é algo que foge totalmente à sua realidade. O dia para ele começa às 3 e meia da manhã, quando sua esposa, Maria Inês, de 40, levanta para preparar seu café. Às 4 e meia, a Kombi já está à porta de sua casa para levá-lo pro trabalho. Não vê a filha Jéssica, 12 anos, acordar para ir à aula. Juarez é motorista de ônibus.

O pesado articulado da linha 5111 – Parque D. Pedro II – Terminal Santo Amaro está “tinindo”. Limpo, cheiroso. A madrugada fria faz com que o motor fique alguns minutos aquecendo antes de deixar a garagem e, a partir das 5 e meia, encontrar seus velhos conhecidos.

Tem a estudante que ainda não acordou, mas ouve suas músicas no MP3, tem o office-boy que trabalha no Centro. Alguns engravatados já tomam acento. À medida que avança o trajeto, mais carros começam a congestionar o trânsito de São Paulo.

A cerração da manhã, junto com o frio, impede que o sol dê uma trégua ao frio insuportável. As mãos de Juarez, geladas, seguram firme o volante do pesado veículo articulado, que já acomoda quase 80 pessoas. Está ao lado do Parque do Ibirapuera. Agora é que o ônibus vai lotar.

Juarez e o cobrador trocam algumas palavras. Quando uma senhora sobe, começa a conversar, a reclamar do frio, da falta de educação das pessoas. E Juarez conta da filha. Ela vai fazer 13 anos no fim de semana e ele quer dar a ela um computador, para ajudar nos estudos. Economizou e pretende pegar a folga na sexta para ir, com a filha, escolher um modelo de seu gosto.

São três da tarde. Sol forte, mas não para espantar o frio. Na Brigadeiro, indo para o Terminal Santo Amaro, dois rapazes entram no ônibus e, sem alarmar os passageiros, anunciam o assalto ao cobrador. Este, sem fazer alarde, entrega o dinheiro mas consegue fazer um sinal para avisar Juarez. Do celular, ele aciona a polícia. Quando a viatura cerca o ônibus, já próximo à Avenida Santo Amaro, um dos assaltantes faz os passageiros reféns. Começam as negociações que se avançam por aquela tarde.

De noite, as emissoras de TV mostram ao vivo o drama dos passageiros, motorista e cobrador daquele ônibus. Congestionamentos em toda São Paulo. Reféns são soltos um a um. Só ficam com o cobrador e Juarez. Um dos assaltantes sai e liberta o cobrador. O outro sai com Juarez. Inês e Jéssica acompanham o drama do pai pela TV. Ao sair do ônibus, o assaltante atira. A bala acerta seu Juarez.


O presente que Jéssica espera receber de aniversário é que seu pai sobreviva à cirurgia para retirar a bala que se alojou em sua barriga.

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MÚSICAS [bregas] PARA O DIA DOS NAMORADOS

>> Terça-feira, 9 de Junho de 2009


Dia dos namorados...
Época em que os apaixonados trocam presentes...
Juras de amor eterno são repetidas...
E frases fortes são escritas em cartões para ficarem guardados na mente e numa caixa de recordações.
O duro é que muitas dessas frases foram tiradas de músicas pra lá de bregas.
Como é bom ser “brega”.
Como é bom amar!
Ah, o amor!!! Feliz dia dos namorados para todos.


“Eu te amo e vou gritar pra todo mundo ouvir... ter você é meu desejo de viver”
Volta pra mim – Roupa Nova

“Eu preciso aceitar que não dá mais pra separar as nossas vidas”
(Evidências – Chitãozinho e Xororó)

O seu nome eu escrevi na areia... A onda do mar apagou...”
(Quatro semanas de amor – Luan & Vanessa)

“E eu preciso de você hoje à noite. Eu preciso de você mais que sempre”
(Total eclipe of the heart – Bonnie Tyler)

"Você sabe que é minha graça salvadora... Você é tudo que eu preciso e mais”
(Halo – Beyonce)

“Olhe dentro do seu coração e você vai encontrar amor amor amor... Ouça a música do momento e talvez cante comigo... Eu gosto da pacífica melodia... É seu direito divino de ser amada, amor, amada, amor”
(I´m yours – Jason Mraz)

"Para mim não adianta... Tanta coisa sem você... E então me desespero... Por favor meu bem eu quero sem demora lhe falar... Eu te amo, eu te amo, eu te amo"
(Eu te amo, te amo, te amo - Roberto Carlos)

“Eu estou voltando pra você, desta vez pra ficar... Se aprendi uma coisa,foi que não posso ficar longe de você”
(Repetition – Information Society)

“Me ensina a te esquecer... ou venha logo e me tire desta solidão”
(Nuvem de lágrimas – Fafá de Belém)

“Não está sendo fácil viver assim... você está grudado em mim”
(Qualquer jeito – Kátia)

"É um vírus que se pega com mil fantasias... Um simples toque de olhar. Me sinto tão carente, consequência desta dor... Que não tem dia e nem tem hora pra acabar"
(Que se chama amor – Raça Negra)

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