QUEM CAI POR ÚLTIMO... (by Sérgio Enzo)
>> sábado, 29 de março de 2008
Sérgio percebeu que estava à beira de um estresse. Os primeiros sintomas ocorreram no feriado, quando ele chegou da balada. Sérgio teve sempre um sono tranqüilo. Nunca leve a ponto de acordar com um mosquito voando no quarto, nem pesado a ponto de passar batido por uma explosão na garagem.
Mas, deitar e quinze minutos depois acordar com o sonho de Marina ter ligado para ele do aeroporto, realmente foi o primeiro sinal de alerta. Resolveu que iria parar de meter-se em encrencas. Já tinha problemas demais para resolver, e ficar arrumando outros, realmente, poderia levá-lo à cama de um hospital.
Por isso resolveu ficar quieto a semana inteira... Já que não dava pra fugir dos problemas, resolveu todos da melhor forma possível. Até que o fim de semana chegou de novo.
Conversa ao celular:
- Serginho, meu querido... Vamos pra balada hoje?
- Ah, Euzer, estou cansado, não estava querendo!
- Poxa, cara! Vamos, vai?
- Eita!!!
Sérgio foi, claro! Encontrou o amigo na fila e colocaram toda a conversa em dia. O amigo que conhecia a última encrenca de Sérgio disse apenas para ele sumir daquela Monstra porque aquilo era chave-de-cadeia.
Na pista, o som rolava solto... De novo, Marina volta aos seus pensamentos com a música da Rihana (Umbrella). Sérgio tem consciência que pode beijar todas as mulheres, mas enquanto Marina estiver em seu coração, outra não vai entrar se não fizer por merecer.
De repente, do nada, uma bofetada violenta atinge lado esquerdo do rosto de Sérgio e ele vai ao chão.
- Seu cachorro, filho da puta! Eu odeio você. O que você fez comigo não se faz, seu canalha! Eu vou destruir sua vida. Vou infernizar todos os seus dias, suas tardes, suas noites.
Um dos donos da boate acode Sérgio que, envergonhado, decide ir embora. Seu amigo aparece e o acompanha até a porta.
- Sérgio, espere a chuva passar...
- Não, vou nessa, melhor.
- Está perigoso você dirigir assim.
- Relaxa, eu não sou de correr.
O amigo de Sérgio toma-lhe a chave do seu carro:
- Sérgio Enzo, você não vai sair daqui enquanto estiver chovendo.
- Me dá estas chaves.
- Não dou – e as coloca dentro de sua calça, num lugar que Sérgio passaria vergonha se fosse tentar pegar.
Na janela, Sérgio e o amigo conversam enquanto observam o dilúvio... Percebe que várias pessoas passam e olham para ele.
- Cara, não estou suportando ficar aqui com essa gente toda me olhando.
- Acalme-se, espere a chuva passar...
- Ai, meu Deus, olha quem está ali!
A Monstra olha vitoriosa para Sérgio. O amigo dele a encara com olhos maldosos. Ela devolve com o olhar ainda mais vitorioso. O amigo percebe algo que ela não viu. Ela sorri cinicamente para um Sérgio abatido, envergonhado e cabisbaixo e não vê o primeiro degrau da escada que leva ao piso inferior.Conversa entre os dois homens do SAMU:
- Vamos colocar o colete?
- Calma, segura o pescoço dela.
Sérgio está ao lado do amigo. Continua cabisbaixo e de braços cruzados. Afinal, ele em pé observa a Monstra no chão sendo imobilizada e socorrida pelos homens do SAMU. Sob seu corpo, sangue. Os homens do SAMU a levam para o hospital. A roda de curiosos se dispersa e volta a curtir a noite, enquanto as mulheres da faxina limpam o sangue no pé da escada.- Vamos tomar um chope, Sérgio? Acho que merecemos!
- É... Afinal, quem vai ao chão por último, vai muito melhor. E eu percebi que você sacou que ela ia cair da escada, viu?
- Eu????????? Que maldade, Sérgio - disse o amigo com um cínico sorriso de vitória!
E a chuva não parou até o final da madrugada!
Se você precisar dos serviços do SAMU, basta ligar 192.